A MESA VOADORA

 

Há pecado mais delicioso que a gula? Para Luis Fernando Veríssimo, definitivamente não. Mesmo que isso venha agravar o seu colesterol.

Em A mesa voadora a comida não foge à inteligência (e ao estômago) do cronista gaúcho.

São crônicas que vão desde conselhos ao leitor, de como se comportar num buffet,-- “É comum o garçom carregar no arroz para poupar o estrogonofe. Ao apresentar seu prato, encare-o e diga, com o olhar: ‘Eu conheço a sua laia, patife. Se me sonegar o estrogonofe, enfiarei a sua cabeça no molho vinagrete até que você morra!”--, passando por críticas à cultura do fast food – “Vivemos nas bordas dessa voracidade ao mesmo tempo ingênua e terrível (...). Somos cada vez mais fascinados e menos críticos diante do grande apetite americano e de um projeto de hegemonia chauvinista e prepotente como sempre, agora camuflado pelos mitos da globalização”— chegando à sua cômica frustração ante “o come e não engorda”—“Ninguém é mais admirado ou invejado do que o come e não engorda (...). É o que come o dobro do que nós comemos e tem a metade da circunferência e ainda se queixa:

           - Não adianta. Não consigo engordar”.

Melhor do que as guloseimas alimentícias, só os textos de A mesa voadora, que são para um guloso leitor tão deliciosos quanto um refinado prato para um ávido gourmet.

Então prepare a mesa, abra o livro e saboreie os “pratos variados” de Luis Fernando Veríssimo.

 

Serviços: Veríssimo, Luis Fernando. A mesa voadora. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.

 Por Sérgio Filho

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