
Quando há alguns anos atrás, meu pai (um verdadeiro ‘apaixonado’ pela literatura brasileira e por todos os seus gêneros) entregou-me, empolgadíssimo, diga-se de passagem,essa obra para ler (“Minha filha,você vai adorar”) confesso que pensei em algo constantemente criticado por mim quando observado em outras pessoas, isto é, pré-julgamento de algo que desconhecemos. Eu realmente nunca tinha lido um livro SÓ de crônicas (no máximo lia algumas no jornal dominical). Hoje, já decorrido algum tempo, percebo que cometi um grande erro... pelo menos no que tange às crônicas desse excelente escritor.
Mario Prata, mineiro de Uberaba – Minas Gerais (“coincidentemente” conterrâneo do meu pai,rs), é jornalista, roteirista e escritor. É considerado um dos melhores cronistas do cotidiano brasileiro. Segundo ele, um de seus maiores divertimentos é compartilhar com seus leitores o próprio ofício e tudo o que existe em torno dele. Dessa forma escreveu “Minhas vidas passadas a limpo”, “Minhas mulheres e meus homens” e o maravilhoso e aqui descrito “Minhas Tudo”.
Na referida obra, Mario Prata nos apresenta uma descrição pormenorizada de algumas “coisas” (isso mesmo...”coisas”), tais como alguns objetos (roupa, guarda-chuva, livros,etc) e também circunstâncias e até mesmo “estado de espírito” que fazem parte de nosso dia a dia e que, “por um mero acaso”, acabaram criando situações marcantes e muito, mas muito engraçadas, ou até “tragicômicas” (dentro das possibilidades de interpretar essa palavra,rs). Contudo, hei de ressaltar, não é a isso que se resume este livro. O autor também nos descreve algumas situações (tais como “encontros familiares”) onde não há como não se identificar com determinadas ‘observações’ dele. É impressionante a riqueza de detalhes e a capacidade de enxergar além daquilo que se vê, a qual ele imprime no de correr de suas narrativas. Há algumas simplesmente emocionantes, tal como “minhas separação”, onde ao começar a ler, cria-se a errônea impressão de uma história da separação de um casal, discutindo “quem vai ficar com o que”. Porém, ao longo da narrativa, percebe-se que a “separação”, na verdade, é entre pai e filho, quando o primeiro resolve ir morar em outro apartamento, de forma a dissolver um pouco o “subtendido” conflito de gerações. Após discorrer algumas discussões divertidas sobre essa separação, Mario Prata nos arrebata com um final belíssimo e contundente, sobre o sentimento (seja lá por qual motivo seja) de separar-se (mesmo que só no pequeno espaço em que se vive – casa) de quem se ama muito.
A crônica “minhas homoternurismo” (termo criado pelo autor e que, segundo ele, para sua infelicidade, não foi incorporado ao “Aurélio”) segue um caminho diferente. Quando começamos a ler, somos levados à “sensatas” reflexões sobre o que ele escreve. Entretanto, de forma impressionante, ao final da crônica, somos levados às lágrimas... de tanto rir!
Com todos esses elementos, “Minhas tudo” é um livro sensacional e de um autor espetacular. E conforme descrito na contracapa da obra “.. é um gesto que fica, que nos constrói e nos diverte...muito”. Vale a pena ler!
PRATA, Mario – “Minhas tudo” – Editora Objetiva, RJ
Por Flávia Pires
ROBERT LUDLUM
O CAMINHO PARA OMAHA
A criação de um Dom Quixote pós-moderno

Mais um excelente livro do escritor norte-americano Robert Ludlum. “O Caminho para Omaha” é mais uma história protagonizada pelos hilários ex-General Mackenzie “louco” Hawkins e seu fiel e forçado escudeiro, o genial e amalucado advogado Sam Devereaux.
No primeiro livro com participação desses personagens (Estrada para Gandolfo, com resenha já aqui publicada), acompanhamos a tentativa do General, com o apoio forçado de Devereaux, a grande ajuda de suas quatro ex-esposas e um grupo de mercenários, com o intuito de realizar o maior seqüestro de toda a história, nada mais, nada menos que a maior figura da Igreja Católica, o Papa.
Aí, na minha opinião Ludlum teria um grande obstáculo, já que depois de um plano como esse, dificilmente ele inventaria uma aventura melhor, ou pelo menos tão boa quanto a primeira. Ainda bem que eu estava enganado, pois a trama desse segundo livro é ainda mais louca e divertida. O General Mackenzie, cerca de dois anos após ter sido chutado do exército pelo governo americano (mesmo tendo sido condecorado duas vezes), bola seu maior plano de ataque. Através de documentos encontrados em um obscuro arquivo, Hawkins encontra um erro cometido há mais de 100 anos, que pode fazer o Governo Norte-Americano perder para a pequena e desaculturada tribo indígena dos Wopotami, quase toda a região de Omaha, em Nebraska. Aí você pode me perguntar, e daí? E daí que em Omaha se encontra o imponente edifício-sede do Comando Aéreo Estratégico dos E.U.A., trocando em miúdos, a primeira linha de defesa do país e fonte de enriquecimento para diversas mega empresas de alta tecnologia. Realmente, Ludlum se supera aqui, colocando seu General em um confronto direto contra o próprio governo que o abandonou em plena China comunista.
É gostosíssimo acompanhar mais uma vez a trajetória desses fantásticos personagens. Sam Devereaux, que ainda sofre bastante devido ao desfecho de sua primeira aventura com o general. Novos personagens, como os truculentos e bobalhões Desi-Um e Desi-Dois, que de ladrões, passam a soldados do “Louco” Mackenzie. Aaron Pinkus, brilhante advogado e chefe de Sam, peça fundamental na estratégia WopotamiXGoverno dos E.U.A.. Jennifer Redwing, brilhante e linda advogada, filha do povo indígena e questão e mais uma envolvida na trama do General. O próprio Mackenzie Hawkins, que continua com todas suas sobrenaturais habilidades, incluindo aí a idolatria de todos os veteranos da segunda guerra mundial que pelo menos ouviram falar em seu nome.
Some a esses personagens uma trama que envolve desde a máfia americana controlada por um dos chefões da CIA, até um grupo anti-terrorista, composto por atores, que nunca disparou sequer um tiro, mas sempre cumpriu todas as suas missões com o mais puro e completo êxito.
Mais um livro indispensável de Robert Ludlum!!!
Serviço: LUDLUM, Robert. O Caminho Para Omaha “The Road To Omaha”. [Tradução de Haroldo Netto]. Rocco, 1993.
PS: Recentemente, criei no ORKUT, uma comunidade para o mestre Robert Ludlum, quem se interessar em participar, é só clicar AQUI.
Vladimir de Sousa
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