OS PILARES DA TERRA

Ao começar a resenha de “Os Pilares da Terra”, fiquei pensando por qual tópico iniciaria meus comentários...bom, decidi pelo aspecto mais interessante de qualquer obra de Ken Follett: A sua impressionante capacidade de remeter o leitor exatamente p´ro período histórico que ele deseja. Na citada obra, comprova-se uma famosa frase citada por ele, quando perguntado sobre “o gosto por escrever livros de entretenimento”, onde o mesmo respondeu: “O principal desafio para um escritor de ficção, é criar um mundo imaginário e então arrastar o leitor para lá. E é isso que eu gosto de fazer”. E foi exatamente o que aconteceu comigo quando li “Os Pilares da Terra”.
A história se passa no interior da Inglaterra do século XII, durante a construção de uma catedral gótica e os vários personagens envolvidos direta e indiretamente na construção da mesma. Durante essa construção (que dura duas gerações), personagens encontram-se (e desencontram-se) numa história repleta de acontecimentos que, se não fosse a documentação histórica de fatos ocorridos naquela época para mostrar veracidade, poderiam nos parecer inverossímeis.
Miséria, perseguições da igreja, estupro, luta pela sobrevivência, bruxaria, ódio, vingança, desejo, erotismo, paixão e amor, são alguns poucos ingredientes que preenchem essa grandiosa narrativa. É um daqueles livros que, quando estamos lendo, contraímos o rosto, de acordo com a situação que está ocorrendo na página. E quando não o estamos lendo, ele nos ocupa os recônditos da memória. Isso porque, diferentemente de outras obras, em “Os Pilares da Terra”, nos envolvemos na história como um “todo”, não somente na expectativa de descobrir um “final”, mas sim de querer saber sempre mais, de um meio, que conduz a um BELÍSSIMO fim..Um livro que está longe de possuir um ritmo a la “O Código da Vinci”, pois sua magnitude está justamente em conduzir o leitor, pelas mãos, a um tempo e um lugar impressionantes. E o que se tira disso tudo????
Basta ler para saber....
“Os Pilares da Terra” – Follett, Ken – Editora Rocco
Por Flavia Pires
ENTREVISTA COM O VAMPIRO

De todos os livros de Horror que li até hoje, esse com certeza tem um lugar bastante especial entre meus preferidos. Não por sua qualidade em si (a própria Anne Rice escreveu livros bem melhores), mas por ser o primeiro de uma série vampiresca espetacular. Na minha opinião Rice remodelou essas curiosas e instigantes criaturas da noite com esse livro. Guardando as suas devidas proporções, o mesmo que Bran Stoker fez com Drácula no século XIX. As “crônicas vampirescas” da autora possuem características únicas, que tornam seus personagens muito mais interessantes e vivos.
Em “Entrevista com o Vampiro”, acompanhamos a primeira entrevista dada por um sugador de sangue de verdade. A narrativa (que é repetida em todos os livros pertencentes as Crônicas) do livro é feita exatamente como uma entrevista, como um relato de vida (ou não vida) de uma criatura fadada ao sofrimento eterno. O nome dessa criatura: Louis.
A partir de seu relato, viajamos até Nova Orleans (Cidade da autora e palco preferido em 90% de suas tramas), ainda no século XVIII. Louis é um fazendeiro, que após passar por uma série de sofrimentos, se entrega ao alcoolismo e entra em um rápido processo de autodestruição. É aí que ele encontra Lestat, perversa criatura que manifesta em sua personalidade todo o desprezo imaginado em relação à vida mortal. Para ele, os seres humanos não passam de alimento. Louis e Lestat se envolvem em uma trágica história de amor e ódio, onde o desprezo, o ódio, a amizade e a dependência andam juntas em todos os momentos. A história nos leva dos EUA, até o velho continente, nos apresentando mais uma série de personagens que posteriormente receberam mais destaque em outros livros. Claudia e Armand são personagens fascinantemente trágicos. Todos amam Louis e ele também os ama, mas ao mesmo tempo os odeia profundamente e sua condição é a principal responsável por isso. A vida de vampiro não é tão interessante como muitos pensam e a destruição final é muito mais fácil do que imaginam. É com isso que o personagem principal tem que conviver, com a raiva por ter sido transformado e a tentativa de negação de sua nova natureza. Louis é de longe o personagem mais humano, e por isso o que mais sofre, dos muitos criados pela autora. E todo esse sofrimento chega a nos comover durante a leitura do livro, o que nos faz pensar e valorizar ainda mais a vida e sua fragilidade e algo banal para todos nós como assistir o nascer do sol e caminhar durante o dia.
Muitos comentam o forte homoherotismo das obras de Rice, sendo esse um dos principais motivos para o estranhamento de sua obra. Eu, depois de já ter lido quase todos os seus livros, faço outra leitura a esse respeito. Acredito que os vampiros são criaturas assexuadas, mas ao mesmo tempo apaixonadas, mas falo isso em um sentido mais metafísico, onde o corpo não é importante e sim o próprio ser. Portanto, nem todos os vampiros são homossexuais, são criaturas amantes da vida e da personalidade do ser humano, que se apaixonam por homens e mulheres e isso fica claro em muitas passagens, em quase todos os livros de Anne Rice.

Portanto, se você gosta de um bom romance de horror gótico, com personagens muito bem construídos e apaixonantes, comece por esse, pois ele é o início de tudo. Mas por favor, cuidado. E não se sinta satisfeito e contemplado pelo filme de Neil Jordan, com Tom Cruise (Lestat) e Brad Pitt (Louis), pois apesar de ser muito bom e fiel a obra, não chega aos pés do romance.
Serviços: RICE, Anne. Entrevista com o Vampiro. Tradução de Clarice Linspector. Editora Rocco.
Vladimir de Sousa
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