BORGES E OS ORANGOTANGOS ETERNOS

O maior cronista da atualidade na Literatura brasileira é também um romancista de mão cheia. Em 2000, Luis Fernando Veríssimo lançou um romance de título extenso e esquisito, essa segunda atribuição condiz com a obra, já a primeira não. Borges e os orangotangos eternos tem apenas cento e trinta páginas, e é um entretenimento de qualidade bem superior a esses calhamaços que figuram em primeiro lugar na lista dos mais vendidos de Veja e outros semanários afins.
Borges se refere ao escritor argentino Jorge Luis Borges, cego aos 57 anos e falecido em 1986 com 87 anos. Os orangotangos eternos é uma menção à Filosofias ocultistas, demônios arcanos e os mistérios da cabala.
A trama se passa no ano de 1985 em Buenos Aires, num congresso da Israfel Society, que reúne estudiosos da obra de Edgar Allan Poe e suas influências em outros autores (Israfel é o nome de um poema de Poe). O protagonista, Vogelstein, é um homem solitário e de meia idade cercado por livros e residente em Porto Alegre, que viaja à capital Argentina para participar do evento e lá se vê envolvido em um crime. Vogelstein juntamente com o escritor -personagem Jorge Luis Borges tentará desvendar o mistério que tanto incomoda a polícia daquele país. Os dois partem de seus conhecimentos sobre a Literatura policial nos contos de Allan Poe para revelar o crime, já que o criminoso deixou suas pistas baseadas nas histórias do escritor norte-americano e em causos da Filosofia ocultista. A cada pista descoberta surge um novo enigma e inicia-se uma outra discussão literária, até que se dê o (im)previsível desfecho.
A despeito do final ser ou não previsto pelo leitor(pois tratando-se de um romance policial cada um de nós é um detetive em potencial)todo o enredo de Borges... além de bem escrito serve de justificativa para uma discussão sobre A Literatura policial. Assim Luis Fernando Verissimo adequa perfeitamente o tema a uma intriga ficcional bem mais atraente do que qualquer debate acadêmico.
Serviço: VERISSIMO, Luis Fernando. Borges e os orangotangos eternos.São Paulo:Companhia das letras,2000.
Sérgio Filho
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